Para praticar a tirolesa, independente de suas dimensões, é preciso um cuidado todo especial quanto ao quesito segurança. É necessário o uso de equipamentos de escalada como mosquetão (espécie de elo de metal), cadeirinha (confeccionada com fitas de nylon altamente resistentes que veste o quadril do praticante), peitoral (fita de nylon que veste o peito), cordas apropriadas e amplo conhecimento de técnicas verticais para operar o procedimento de descida.
Está intrínseco, justamente no fator segurança, a principal peculiaridade da tirolesa. O equipamento usado é realmente seguro e tem margem de falhas em níveis próximos a zero. Contudo o “frio na barriga” de descer uma tirolesa está no conflito entre confiar no equipamento e temer a altura, que é quase comum em todas as pessoas, embora sejam utilizados equipamentos em duplicidade para eliminar qualquer risco de queda.
Prova disso é a tirolesa de 120 metros de extensão por 35 metros de desnível montada no Serraventura, em Bonito (MS). O ponto de partida da descida fica no topo da Cachoeira Santa Marta, com 55 metros de altura. O que ajuda na concentração para descer é um pequeno trecho do penhasco que impede a visão total da real atura da aventura. “Isso facilita um pouco para nós, esse trecho faz com que as pessoas não tenham tanto medo e até ajuda a sentirem confiança no equipamento para que então enfrentem o desafio”, diz o empresário Orlando Moreira Jacques, idealizador da tirolesa.
O MEDO
Uma curiosidade a respeito dessa inusitada forma de se divertir e conhecer novas emoções é a sua utilização para resgatar dentro das pessoas a auto-estima e o autoconhecimento. É comum encontrar locais onde são praticados esportes verticais, que oferecem treinamento com intuito de fazer com que as pessoas que tenham medo de altura conquistem o equilíbrio desse medo praticando esporte. A tirolesa também é muito usada para esse fim.
Na verdade, esse tipo de “tratamento natural” acaba acontecendo, em muitos casos, de forma involuntária, por exemplo: – Em meio a uma viagem qualquer lá está uma descida de tirolesa, logo os filhos se empolgam e querem curtir o passeio, mas o pai morre de medo de altura. Com brincadeirinhas, os filhos insistem tanto que o pai acaba cedendo, então, depois de uma bela descida percebe que pode superar o medo.
Embora isso aconteça, alguns fatos devem ser levados em consideração. O medo, segundo a visão de estudiosos sobre o assunto, está relacionado com o desenvolvimento individual de cada um e ainda está ligado intimamente ao sentido de sobrevivência do ser humano, e quando ele é excessivo pode ser prejudicial.
De acordo com a professora de psicopedagogia do Centro Universitário Fiel, Cleomar Azevedo, o medo faz parte das emoções, que por sua vez faz parte do instinto das pessoas. “O medo é muito pessoal e acontece de um jeito diferente em cada um. É preciso que o indivíduo respeite seus limites. Há também quem desafie o medo em busca de reafirmação pessoal, o que é comum na fase de adolescência”, comenta.
De qualquer forma, a prática de tirolesa vem crescendo em circuitos turísticos, principalmente por proporcionar um leque de emoções e alegria para quem busca nesses sentimentos um contato direto com a natureza, aliado à sensação de liberdade e desafio cumprido que essa prática vertical pode oferecer. Aos amantes da adrenalina, respeito aos limites pessoais e boa descida!
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